Mesmo sendo meu, este coração que bate em um peito abandonado não deixa de ser teu.Teu por todas as promessas, juras de amor, por todas as verdades. Teu pelo fato de que sua mentira foi minha verdade. E foi essa incomum ilusão que me deixa entorpecida com o estranho gosto de saudade; talvez amargo. Ou salgado. Tão salgado quanto o gosto que insiste em minha garganta; gosto de lágrima, gosto de dor, gosto de você. Mas nunca doce; nunca tão doce quanto os beijos. Nunca tão doce quanto o que me causam as lembranças de quando você costumava ocupar o espaço vazio de minha cama. Do tempo o qual nosso amor não era pedra:
Nossos corpos eram líquidos, costumavam moldar-se um a forma do outro. Nossa relação também era liquida. Líquida e dócil, de modo com que deixávamo-nos instruir com fluidez um sobre o outro. Nosso amor era líquido também. Como o sangue que corria em nossas veias, ele nos formava e era essencial: transporte de desejo, sonho, carinho e fuga de solidão.
Também eram fogo. Fogo ardente e banhado com luxuria, que tomava conta de cada e todo desejo que nos contávamos em um quarto escuro numa noite sem estrelas.
Fogo traiçoeiro que me dava o poder do comando, o poder do controle. E, ainda, o fogo que costumava me fazer esquecer o frio. O fogo que aproximava, que protegia e enganava. O fogo que costumavas usar como fantasia; escondias a falta de amor e carinho em montes de desejos insensíveis, que acabaram por se desgastar com a distancia imposta por você.
Fogo traiçoeiro que me dava o poder do comando, o poder do controle. E, ainda, o fogo que costumava me fazer esquecer o frio. O fogo que aproximava, que protegia e enganava. O fogo que costumavas usar como fantasia; escondias a falta de amor e carinho em montes de desejos insensíveis, que acabaram por se desgastar com a distancia imposta por você.
Eram ar. Ar apressado que saia de meu corpo desesperado. Que fugia da minha confusão interna num momento de nervosismo. Ar que me deixava quando nossas mãos se tornavam apenas uma em um entrelaço de almas. Ar que me faltava num ofego. Ar que me faltou nos momentos mais especiais. Ar que fugiu, ar que se foi. Ar que levou consigo minhas chances de continuar a respirar quando você se foi. Ar que ainda me falta, que ainda não voltou, que não voltará.
E, por fim, essa terra que insistiu em me prender ao chão quando não quis e, agora, me gera medo e desconforto ao saber que nunca serei capaz de voltar a realidade.Que nada disso será capaz de mudar, minhas ilusões nunca deixarão de ser relembradas nos meus sonhos, quando insisto em deixar-me ir embora dessa atmosfera de dores e chegar em um lugar que eu possa me embebedar de lembranças e saudades de você. Que eu possa esquecer por uns momentos, deixando de me importar com a ressaca de mais uma noite embriagada, que me tirou do chão, me levou o ar, me esquentou o corpo e me deixou ser levada noite adentro.
Sonho este que faz as alucinações voltarem. E os desejos. E as lembranças. Sonho que me leva e traz pro passado, esse sim doce, que se transforma no mais amargo fim, feito não de água, nem ar, nem terra, nem fogo. Feito de pedra, pedra morta que não volta a vida. Pedra que, por tão dura, não se molda, não muda, não anda. E pedra, portanto, ficou. E, como pedra se concretizou nossa separação que me causa, hoje, esses sonhos que me enlouquecem a mente. Sonhos estes que me dão a certeza que esse coração meu permanece a ser teu. Não porque ainda fazes parte de mim, mas sim porque ele quer. Quer te pertencer a todo custo a ponto de estar deixando de bater, simplesmente pela falta que tens me causado.

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